Vale vence o Public Eye Awards, prêmio de pior empresa do mundo

Após 21 dias de acirrada disputa, a mineradora brasileira Vale foi eleita, nesta quinta, 26, a pior corporação do mundo no Public Eye Awards, conhecido como o “Nobel” da vergonha corporativa mundial. Criado em 2000, o Public Eye é concedido anualmente à empresa vencedora, escolhida por voto popular em função de problemas ambientais, sociais e trabalhistas, durante o Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos.

 

Este ano, a Vale concorreu com as empresas Barclays, Freeport, Samsung, Syngenta e Tepco. Nos últimos dias da votação, a Vale e a japonesa Tepco, responsável pelo desastre nuclear de Fukushima, se revesaram no primeiro lugar da disputa, vencida com 25.041 votos pela mineradora brasileira.

 

De acordo com as entidades que indicaram a Vale para o Public Eye Award 2012 – a  Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale (International Network of People Affected by Vale), representada pela organização brasileira Rede Justiça nos Trilhos, e as ONGs Amazon Watch e International Rivers, parceiras do Movimento Xingu Vivo para Sempre, que luta contra a usina de Belo Monte -, o fato de a Vale ser uma multinacional presente em 38 países e com impactos espalhados pelo mundo, ampliou o número de votantes. Já para os organizadores do prêmio, Greenpeace Suíça e Declaração de Berna, a entrada da empresa, em meados de 2010, no Consórcio Norte Energia SA, empreendimento responsável pela construção de Belo Monte, foi um fator determinante para a sua inclusão na lista das seis finalistas do Public Eye deste ano.

 

A vitória da Vale foi comemorada no Brasil por dezenas de organizações que atuam em regiões afetadas pela Vale. “Para as milhares de pessoas, no Brasil e no mundo, que sofrem com os desmandos desta multinacional, que foram desalojadas, perderam casas e terras, que tiveram amigos e parentes mortos nos trilhos da ferrovia Carajás, que sofreram perseguição política, que foram ameaçadas por capangas e pistoleiros, que ficaram doentes, tiveram filhos e filhas explorados (as), foram demitidas, sofrem com péssimas condições de trabalho e remuneração, e tantos outros impactos, conceder à Vale o título de pior corporação do mundo é muito mais que vencer um prêmio. É a chance de expor aos olhos do planeta seus sofrimentos, e trazer centenas de novos atores e forças para a luta pelos seus direitos e contra os desmandos cometidos pela empresa”, afirmaram as entidades que encabeçaram a campanha contra a mineradora. Em um hotsite (http://xinguvivo.org.br/votevale/) criado para divulgar a candidatura da Vale, forma listados alguns dos principais problemas de empreendimentos da empresa no Brasil e no exterior.

 

Coletiva

No Brasil, as entidade Rede Justiça nos Trilhos, Núcleo Amigos da Terra Brasil, International Rivers e MST farão uma coletiva de imprensa sobre o premio nesta sexta, 27, ás 12:00 h, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre.

 

Já em Davos, Suíça, também ao meio dia (horário local), os organizadores do Public Eye, Declaração de Berna e Greenpeace Suíça, farão a entrega do premio durante uma coletiva no Fórum Econômico Mundial, que contará com a presença do economista americano e vencedor do Premio Nobel, Joseph Stiglitz.

 

Serviço

 

Coletiva no Brasil

Quando: sexta, 27, às 12:00h

Onde: Casa de Cultura Mário Quintana, Rua dos Andradas, 736 – Centro, Porto Alegre, RS – Sala de cinema Eduardo Ritz

Participantes:

Padre Dario, coordenador da Rede Justiça nos Trilhos

Lucia Ortiz, coordenadora do Núcleo Amigos da Terra Brasil

Brent Millikan, coordenador da International Rivers Brasil

João Pedro Stedile, membro da direção nacional do MST

 

Para mais informações:

Danilo Chammas, Justiça nos Trilhos – (99) 8844-2331

Padre Dario, Justiça nos Trilhos – (99) 8816-1788

Andressa Caldas, Justiça Global – (21) 8187-0794

 

Ass. comunicação:

Verena Glass, Movimento Xingu Vivo – (11) 9853-9950

 

Na Suíça:

Teamleader Communication and Media Communications Manager Biodiversity & Toxics
Direct +41 44 447 41 56, Mobile +41 78 682 00 91
yves.zenger@greenpeace.org


Captura Corporativa em debate em Porto Alegre

As empresas transnacionais estão aproveitando da crise global para controlar o debate sobre as soluções à crise, apoderar-se de mais terras e recursos naturais e continuar violando os direitos dos povos. Isso ficou evidente no desfecho das negociações sobre mudanças climáticas na COP17 em Durban, onde as discussões se concentraram na expansão dos mercados de carbono e deixaram de lado as decisões sobre redução de emissões. Mais preocupante ainda refere-se às discusões entorno da Conferência Rio+20 e da ‘Economía Verde’. Porém, este conceito, apresentado como a panacéia para resolver os problemas do planeta, não é mais que o capitalismo corporativo com novo verniz que busca resforçar o sistema neoliberal em crise, em detrimento dos direitos dos povos e da natureza.

Enfrentar o poder crescente das empresas transnacionais demanda uma resposta global por parte dos movimentos e da sociedade civil. Esta atividade criará um espaço onde movimentos, organizações e ativistas possam convergir para definir estratégias comúns para desmantelar o poder das corporações e avançar na construção dum novo paradigma baseado na justiça social e econômica.

 

Mesa Redonda + Debate:

1. Captura Corporativa da ONU (Rio+20, negociaçoes sobre clima) – Lucia Ortiz, Amigos da Terra Internacional

2. A Campanha contra a Vale – Pe. Dario, Movimento Internacional dos Atingidos pela Vale

3. Idéias para uma campanha global contra ETNs – Lyda Fernanda/Karen Lang, TNI

4. Comentários: Alessandra Cerragatti, MMM; Alexandra Flores, Fundación Solon; LVC (a confirmar)

Moderador(a): Sandra Quintela, PACS/Jubileo Sur Américas

Data: 27 de janeiro de 2012, das 9h até 11h30min

Local: Casa de Cultura Mário Quintana, Rua dos Andradas, 736 – Centro

Co-organizadores: Transnational Institute (TNI), Amigos da Terra Internacional (ATI), Red Birregional Europa-América Latina Enlazando Alternativas, Jubileo Sur Américas, Movimento Internacional dos Atingidos pela Vale


Atividades – Forum Social Temático

RUMO A RIO+20: POR UMA OUTRA ECONOMIA
 
Seminário
 
Porto Alegre, 23 e 24 de janeiro de 2012
 
Convidamos as organizações e movimentos sociais críticos da economia verde proposta pelas corporações e pela agenda oficial da Rio+20 a participarem do seminário Rumo a Rio+20: Por uma Outra Economia, que será realizado nos dias 23 e 24 de janeiro de 2012, em Porto Alegre.
 
O seminário pretende se somar aos esforços de construção de um diagnóstico crítico da economia verde e do contexto em que a Rio+20 se realizará, visando fortalecer um campo de organizações e movimentos sociais que possam, através de seus acúmulos, reflexões e práticas contra-hegemônicas, contribuir para a construção da resistência às teses dominantes e para o fortalecimento das alternativas que emergem das práticas baseadas no olhar feminista, agroecológico, da economia solidária e de outras práticas baseadas na não-mercantilização e nos bens comuns.
 
Programa:
 
23 de janeiro -
 
Manhã – Trajetória de lutas desde a Eco 92, crise global e a necessária desconstrução da economia verde no caminho para a Rio+20.
 
Tarde – Premissas de Outra Economia – não-mercantilização, estratégias coletivas e não-individuais, direitos e justiça ambiental, bens comuns.
 
24 de janeiro -
 
Manhã – Reflexões a partir das experiências e práticas das organizações e movimentos sociais.
 
 
 
Tarde – Estratégias de ação: o que fazer rumo a Rio+20 e depois.
 
 
 
Local:
 
IAB-RS – Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Rio Grande do Sul
CENTRO CULTURAL IAB-RS | SOLAR CONDE DE PORTO ALEGRE
Rua General Canabarro, 363 esq. com Rua Riachuelo
 
Centro – Porto Alegre, RS
 
 
 
Organizadores:
ANA – Articulação Nacional de Agroecologia
 
ASPTA – Agricultura Familiar e Agroecologia
 
FASE – Solidariedade e Educação
 
Amigos da Terra Brasil
 
SOF – Sempreviva Organização Feminista
 
 
Apoio – Fundação Heinrich Boell

Indignados em Porto Alegre


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