Monocultivo, impacto da mineração e falsas soluções dominam a pauta da Escola de Sustentabilidade

O Primeiro dia

 O primeiro dia da Escola de Sustentabilidade da Amigos da Terra América Latina e Caribe, que começou nesta segunda-feira, 12/10, em Viamão, deu o tom do que os dez dias do evento serão. O fato de realizar-se no Centro de Formação Sepé Tiaraju, do MST, fez com que se começasse com uma apresentação da situação atual deste movimento e das lutas no campo brasileiro e sulriograndense.

 

Destaque especial, nesse ponto, teve a questão das plantações de eucaliptos no estado. Com efeito, a discussão deixou claro que o problema dos monocultivos é comum a vários países – seja para as papeleiras, como no bioma pampa (Brasil, Argentina e Uruguai), seja para agrocombustíveis (como em Moçambique, Honduras, El Salvador), seja para a venda de bônus de carbono no emergente mercado de “compensações” pela emissão de poluentes (o chamado offset de carbono).

 

Mas, de certa forma, como salientaram participantes de países onde cresce a exploração de minérios e recursos energéticos, mesmo essas áreas poderiam ser consideradas monocultivos. Segundo Héctor Alimonda, argentino, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro que palestrou sobre ecologia política no primeiro dia, deve-se entender essa intensificação da exploração de recursos como gás, petróleo e energia hidrelétrica como parte de um sistema internacional que busca sair da crise financeira criando novos investimentos em países “em desenvolvimento” que passam, consequentemente, a “especializar-se” exclusivamente na produção de alguns poucos bens primários para o mercado. Assim, poderia chamar-se de “monocultivo” todo projeto econômico que vende, como a única alternativa possível de desenvolvimento, o direcionamento exclusivo a algumas poucas áreas.

 

Este direcionamento, ressaltou Alimonda, resulta em mega-projetos que deslocam comunidades inteiras, ao mesmo tempo em que destroem condições de vida (como é o caso da “desertificação verde” produzida pelas plantações de eucaliptos no RS) e destroem o meio-ambiente, seja diretamente (a contaminação de rios pela mineração), seja indiretamente (mais emissões de gases causadores do aquecimento global, no caso do petróleo e do carvão). Além disso, com freqüência descumprem as próprias legislações ambientais nacionais, por exemplo deixando de fazer consultas com as comunidades afetadas. A saída, aponta ele, seria uma transformação em direção a um modelo menos poluente e mais voltado à sustentabilidade dos territórios através da soberania de seus habitantes e da transformação de sua matriz produtiva –  ao invés da busca desenfreada de vantagens competitivas no mercado internacional, que leva ao estabelecimento das monoculturas. Neste sentido, o estabelecimento de uma “justiça climática” global necessariamente se confronta a própria lógica do capitalismo, onde o bem-estar em uma parte depende da miséria, da destruição de comunidades e da degradação ambiental em outra.

 

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