África representada na Escola de Sustentabilidade da ATALC

Jeremias Filipe é integrante da organização Justiça Ambiental – Amigos da Terra Moçambique, e está participando da Escola de Sustentabilidade da Amigos da Terra America Latina e Caribe, que se realiza no centro de Formação Sepé Tiaraju, do MST, em Viamão.

Justiça Ambiental nasceu em 2004, a partir de uma preocupação com a forma em que se estava abordando a questão do desenvolvimento e os temas ambientais no país.

Para o ativista moçambicano, o diálogo como os pares latino-americanos é muito valioso, já que o sistema capitalista ganha terreno “em todo o mundo”, e há uma “propaganda muito crescente de exploração dos recursos naturais”. Todo este panorama precisa de uma presença maior das organizações sociais que trabalham com as populações mais atingidas.

Na Escola da Sustentabilidade têm participado organizações brasileiras como o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST). Em relação a estes movimentos, Jeremias destacou “a formação política que a América Latina tem a oportunidade de oferecer a seus militantes, em termos de organização e orientação política”.

Jeremias conta que se espera que Mozambique seja um dos países mais afetados pelo cambio climático nos próximos 20 anos aproximadamente. O estado africano tem em torno de 2.700 quilômetros de costa e mais de 60% da população nacional, que chega a 20 milhões de habitantes, vive nesta zona. Teme-se especialmente pelo futuro desta população. Como sempre é o caso, os mais afetados estariam entre as comunidades mais pobres.

O representante africano na Escola de Sustentabilidade relata, ainda, que em seu país as políticas governamentais também favorecem a chegada de grandes corporações transnacionais, como ocorre geralmente na América Latina. Como exemplo disto, Jeremias falou da futura exploração de carvão mineral na região central de Moçambique, que será levada adiante, entre outras, pela transnacional de origem brasileira Vale do Rio Doce. Essa empresa pretende produzir 26 mihoes de toneladas de carvão por ano para, entre outros fins, alimentar siderúrgicas no Brasil. Apesar de a Vale do Rio Doce ainda não ter se instalado completamente, já tem gerado descontentamento entre os moçambicanos, e também os primeiros impactos severos, como o desalojamento de 1.500 famílias, que nem sequer tiveram a possibilidade de negociar sua saída.

Para Jeremias, o problema está em uma maneira de conceber o desenvolvimento econômico desde o ponto de vista exclusivo da aposta em grandes projetos de extração de recursos naturais – ao invés de repensar a matriz produtiva do país de maneira sustentável e que envolva as comunidades locais que, frequentemente, tem seu ambiente e suas condições de vida destruídos por estes grandes projetos, sem que sejam nem mesmo consultados a este respeito.

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