Cancunhague força a humanidade ao suicídio

InJuStiça CLimáTiCa – seguimos a Luta
(Cancun, México, 11 de dezembro de 2010) Os resultados ao final das negociações do clima em Cancun refletem os mesmos resultados negativos do Entendimento de Copenhague de dezembro de 2009. Portanto, ameaçam de morte o Protocolo de Quioto, e  mais importante ainda, ameaçam de morte humanidade já que de concreto pelo que ali foi planteado, teríamos ao final do século, um planeta com um aumento da temperatura de mais de 5 graus celsius, o que transformará a terra demasiado inóspita para nossa civilização.

Amigos da Terra da América Latina e Caribe (ATALC) denuncia e repudia este resultado da COP do Clima, que não obstante será apresentado à humanidade, pelos grandes interesses econômicos, como a solução para esta crise climática. ATALC respalda a denúncia feita pela Bolívia de que os resultados da COP são inadequados e não respondem à realidade climática do planeta, se não, bem favorecem os interesses das grandes corporações transnacionais, ao mesmo tempo que desconhecem a atualidade dramática de numerosos países em desenvolvimento.

De igual forma, consideramos que o processo das negociações não foi transparente nem aberto, e se baseou nas tristes práticas conhecidas como “salões verdes” (negociações bilaterais entre grupos de países), que eliminam as possibilidades de discussões de todas as partes. Em atenção ao anterior, ATALC reivindica o Acordo dos Povos de Cochabamba, o qual seguirá promovendo porque inclui soluções reais às mudanças climáticas.

Os textos apresentados ao final da COP falam de continuar negociando um segundo período de compromissos dentro do Protocolo de Quioto, mas não mencionam data para a concluão dessas negociações e não assegura esse segundo período. E mais, deixam a porta aberta para que se desmantele Quioto, único acordo vinculante sobre clima que obriga aos países ricos reduzir emissões.

Sobre essas reduções, os novos textos seguem cercados por um sistema de ofertas voluntárias, ou seja “promessas” de cada um dos países, sem fazer referência a uma meta de cortes que todas as partes tenham que acordar como objetivo comum. Ainda que os textos não estipulem metas de redução de emissão, já asseguram mecanismos de flexibilidade para os países ricos, para que possam alcançar suas “promessas”. Entre esses esquemas está o comércio de emissões e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Nos acordos de longo prazo, seguem vendo aas florestas como meros reservatórios (sumidouros) de carbono e apontam para o comércio de emissões. Tampouco se assegura o pleno direito de povos indígenas e comunidades locais. Em matéria de financiamento climático, se cria um fundo verde, mas se convida o Banco Mundial a jogar um papel fundamental. Com referência à transferência de tecnologia, se criam duas novas entidades que analisem o tema mas não se sabe de onde sairão os fundos para seu funcionamento.

Ricardo Navarro, integrante de CESTA – Amigos da Terra El Salvador, disse: “Somente no Palácio da Lua (Moon Palace é o nome do hotel onde se fizeram as negociações em Cancun) um instrumento legal como o Protocolo de Quioto termina por beneficiar aos países ricos, responsáveis históricos pela mudança climática, ainda que não reduzan suas emisssões”. “O que se discute na Lua não reflete o que passa no planeta Terra”, completou Navarro.

Lucia Ortiz, do NAT – Amigos da Terra Brasil, assinalou: “Rechaçamos um acordo sobre florestas que, mais que buscar sua preservação, confere valor econômico de acordo com o carbono que armazenam e, assim abre a porta para mais comércio de emissões, a favorecer as nações poderosas mais contaminantes”.

Grace García, da COECOCEIBA – Amigos da Terra Costa Rica, manifestou: “somente um grupo de lunáticos pode querer convidar  ao Banco Mundial a receber os fundos para o clima, com o histórico imenso que tem de financiamento dos projectos mais sujos do mundo e de condicionantes de morte a nossos povos”.

Finalmente, Domingo Lechón, de Otros Mundos – Amigos da Terra México, afirmou: “Os textos apresentados em Cancun não respondem em nenhuma circunstância a urgência planteada pela ciência e provocarão um aumento da temperatura mundial em média de mais cinco graus. Atualmente, com um aumento que não chega a um grau, os impactos da mudañça climática já são gravíssimos. Há cada ano morrem 300.000 pessoas, tendo como causa a mudança climática e os desastres naturais e sociais que provoca”.

ATALC denuncia que este resultado de Cancun não é mais que a repetição do antidemocrático e absolutamente insuficiente Entendimento de Copenhague. “Temos um Cancunhague que repudiamos”, encerrou Ricardo Navarro.

Mais informação:

Ricardo Navarro, CESTA – Amigos de la Tierra El Salvador: cesta@cesta-foe.org.sv

Lucia Ortiz, NAT – Amigos de la Tierra Brasil: lucia@natbrasil.org.br

Grace García, COECOCEIBA – Amigos de la Tierra Costa Rica: graciagarcimunoz@gmail.com

Domingo Lechón, Otros Mundos – Amigos de la Tierra México: domingolechon@otrosmundoschiapas.org

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