REDD e Povos Indígenas em Rondônia

Depoimento de José Luiz Kassupá sobre os impactos do mecanismo REDD na vida dos Povos Indígenas, durante a oficina “Serviços ambientais, fundos verdes e REDD: Salvação da Amazônia ou Armadilha do Capitalismo Verde”, realizada de 3 a7 de outubro em Rio Branco (AC), Brasil e organizada pela Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, junto com o CDDHEP – Centro Defesa Direitos Humanos Educação Popular e a Fundação Heinrich Boell e com a participação dos Amigos da Terra Brasil. José Luiz é primeiro secretário do movimento indígena no estado de Rondônia.
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Uma resposta para “REDD e Povos Indígenas em Rondônia

  • ivaneide bandeira

    Em Rondônia a única experiência de estar trabalhando um projeto de REDD+ é do povo Paiter Surui, que a mais de 3 anos vem fazendo os estudos e tendo todo o cuidado para garantir os direitos indígenas.
    Os Paiter tem um Plano de Gestão de 50 anos de seu território, e o projeto de REDD+ é apenas um pequeno projeto dentro deste Plano.
    Para eles o REDD+ não é a solução de seus problemas, mas contribui para minimizar alguns. Por exemplo: desde que começaram os estudos para o desenvolvimento do projeto, os indígenas que junto com os madeireiros vendiam madeira ilegal, deixaram de explorar ilegalmente seu território e passaram a defender a floresta em pé. Com esta atitude os animais que haviam se afastado retornaram, multiplicaram e melhorou a alimentação dos Paiter e diminuiu o desmatamento no território.
    Os Paiter Surui ainda não venderam nenhum crédito, por acreditar ser necessário tomar todo o cuidado e buscar empresas que tenham compromisso em minimizar suas emissões.
    Quanto ao território este é demarcado e homologado pelo Governo Brasileiro, o que por si só impede a venda da terra, portanto o discurso que irá vender a terra é falacioso.
    Com o projeto os Paiter conseguiram tirar os “brancos” que estavam explorando o território como meeiros.
    Realizaram o Consentimento Prévio Informado, que durante um ano com o apoio do antropologo Thiago Avilar, discutiram todo o processo, esclarecendo dúvidas e tendo o consentimento da comunidade.
    O projeto foi colocado em audiência pública em Cacoal (RO) e Rondolândia (MT) para que quem quisesse se manifestar e contribuir.
    A discussão de REDD vem sendo feita pela COIAB e a Metareilá.
    Na Oficina promovida pelo GTA e Imaflora sobre principios e critérios para REDD+ , indígenas, ribeirinhos e várias instituições estiveram presentes e colocaram o que consideravam ser importante para garantir direitos.
    Os Cinta Larga ainda estão na fase da primeira reunião.
    Creio ser necessário haver mais oficinas de formação e informação, pois tenho presenciado discursos que não condiz com a realidade e que demonstram pouco conhecimento, o que reforça a necessidade de mais formação.
    Este é um tema novo, em Rondônia o Governo junto com a sociedade civil acaba de criar o Fórum de Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Serviços Ambientais de Rondônia, onde participam todos os segmentos.
    Uma sugestão seria gravar vídeos tanto dos que são contra, como daqueles que são favoráveis, isto ajudaria a formar opinião com o pouco mais de embasamento e critério.

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