A paciência se esgotou

Milhares de pessoas marcharam neste sábado pelas ruas de Durban, África do Sul, pelo Dia de Ação Global por Justiça Climática. Durante o trajeto os manifestantes passaram defronte ao Centro Internacional de Convenções, onde estão sendo realizadas as negociações das Nações Unidas (ONU) sobre Mudança Climática.

Trabalhadores, camponeses, ambientalistas, comunidades sem terra, atingidos por grandes corporações transnacionais, mulheres, entre dezenas de organizações muito diversas, se mobilizaram para exigir justiça climática.

A federação ambientalista Amigos da Terra Internacional, por exemplo, destaca que para atingir a justiça climática é preciso que os países industrializados reduzam radicalmente suas emissões de gases de efeito estufa. Acrescenta que esses estados também devem repassar fundos para o Sul global para os trabalhos de adaptação e mitigação da mudança climática e tecnologias limpas, que permitam aos países pobres economicamente, um desenvolvimento sustentável.

Um segundo período de compromissos do Protocolo de Kioto com reduções drásticas e obrigatórias de emissões contaminantes foi uma das demandas mais importantes que surgiram no percurso da mobilização, que durou várias horas.

Rádio Mundo Real esteve presente na marcha e recolheu alguns vozes representativas dos manifestantes.

Ebiaridor Kentebe – Amigos da Terra Nigéria

O ativista destacou a demanda principal da manifestação, a da justiça climática, e acrescentou que os povos erguem-se sem limites quando lhes negam o acesso aos recursos naturais e quando não são respeitados os seus direitos.

Emily Tjale – Movimento pelo Acesso à Terra da África do Sul

Os países “devem ouvir nossas vozes como mulheres rurais, porque somos as mais atingidas pela mudança climática” disse . A dirigente sul-africana considerou que “o Protocolo de Kioto não deve terminar, deve ser ampliado, e todos os países que estão aqui devem atingir um acordo legalmente vinculante”. Tjale acredita que “não pode haver justiça climática sem justiça de gênero”.

Thomas Mnguni – Greater Middleburg Resident’s Association – África do Sul

O ativista disse que os manifestantes buscavam “mostrar ao governo sul-africano, ao Banco Mundial, e a todos os governos do mundo, que as pessoas querem uma solução à mudança climática e quer ela agora”. É que “a mudança climática nos está matando”, acrescentou. De fato, estima-se que morrem atualmente mais de 300.000 pessoas por ano por causa de eventos associados à mudança climática.

Renaldo Chingore João – Via Campesina Internacional

“A mensagem que a Via Campesina tem para dizer a nossos governantes é que não queremos as negociações para a venda de carbono. Queremos que a agricultura não seja metida na mesa de negociações”, manifestou o dirigente. Especialistas nas negociações têm garantido que se busca promover a ampliação dos mercados de carbono para a atividade agrícola.

Em troca, “queremos a soberania alimentar”, acrescentou Chingore. “Aquilo que nós consideramos como a riqueza dos povos, os recursos naturais, não podem ser vendidos, esses recursos são para a Humanidade, essa é a mensagem que queremos que seja entendida pelos governantes”, disse o dirigente da Via Campesina Moçambique.

Winnie Overbeek – Coordenador do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

O dirigente de origem holandês e que vive no Brasil explicou que o movimento que coordena decidiu seguir de perto a COP de Clima “principalmente para denunciar as falsas soluções que envolvem as florestas”. Dentre elas destacou as monoculturas de árvores para captura de carbono e o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e eDegradação das florestas nos países em desenvolvimento (REDD).

Overbeek manifestou que existem projetos REDD que “já estão sendo implementados em áreas de florestas ” que “violam os direitos das comunidades”. “É necessário que os líderes dos governos façam um acordo para enfrentar realmente as causas da mudança climática e isso significa reduzir as emissões nos países industrializados”, expressou o ativista.

Nnimmo Bassey – Presidente da Amigos da Terra Internacional

O dirigente nigeriano deu um discurso onde disse que “precisamos enviar uma mensagem direta e muito forte à conferência (da ONU) de que não é o momento de acabar com um acordo vazio”. “Os povos da África não o aceitariam”, fustigou, em um continente que “já é o mais atingido e o mais vulnerável do mundo”. “Queremos reduções de emissões obrigatórias por lei”, disse ao final de sua fala.

http://www.radiomundoreal.fm/A-paciencia-se-esgotou?lang=es

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