Imorais: estados ricos riem da ciência e dos povos nas negociações de clima

DURBAN, 12/12/2011: Os países industrializados, as grandes corporações transnacionais e as elites financeiras mundiais uma vez mais utilizaram o espaço das negociações de clima das Nações Unidas (ONU) para fazer negócios e assegurar o lucro de suas atividades econômicas a qualquer custo.

Amigos da Terra de América Latina e Caribe (ATALC) denuncia a opinião pública internacional a imoralidade dos governos dos países ricos, responsáveis históricos pelas mudanças climáticas. Estados Unidos, Japão, a União Européia, Rússia e Canadá, entre outros, são os principais responsáveis do rotundo fracasso das negociações de Durban.

“Os resultados desta COP 17 mostram que os países industrializados fazem caso omisso da ciência. Tampouco querem assumir sua responsabilidade histórica pelas mudanças climáticas, com escassas, senão nulas, promessas de redução de emissões e de financiamento para a mitigação e adaptação no Sul global”, disse o ambientalista Ricardo Navarro, de CESTA – Amigos da Terra El Salvador. Para o dirigente, as posições dos países ricos “não são somente irracionais, senão ademais criminosos”.

Uma vez mais as negociações de clima terminaram com cifras ridículas ou nulas de redução de emissões por parte dos estados chamados desenvolvidos. A ciência indica que a contaminação atual poderia levar a um aumento da temperatura média global de ate mais de 4 graus centigrados, o que seria catastrófico, e com impactos ainda mais devastadores no continente Africano. Assim mesmo, , justamente em Durban se declarou o “Apartheid Climático”, um abismo entre as demandas reais dos para o enfrentamento das mudanças climáticas e as ações e soluções reais necessárias. O Protocolo de Kyoto, único instrumento legal vinculante da Convenção, foi preservado somenteem nome. Vazio, será enterrado logo que um novo acordo, ainda mais débil e que não diferencie os países historicamente responsáveis daqueles em desenvolvimento, seja cozinhado para a próxima COP , ou Conferencia dos Poluidores.

Ao mesmo tempo, o mundo “desenvolvido” banca o fortalecimento dos existentes, apesar de ilusórios, mercados de carbono, e a criação de novos, a fim de incrementar o comércio de ar e dar lugar as compensações de emissões. O estados industrializados financiam projetos que chamam “limpos” no Sul global, o que lhes permite exonerar-se de parte de suas obrigações de redução de emissões a nível nacional. Agora querem expandir esta lógica perversa a setores inteiros, como a agricultura ou as florestas. Os mecanismos de mercado, como o comércio de carbono e REDD+ (Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação de florestas tropicais) são “falsas soluções” que deveriam ser parada já, destaca ATALC.

“Já temos quase 20 anos de COPs e cada vez damos passos mais atrás. Nesta COP17 adecisão que se tomou foi adiar decisões e ações para2020”, lamentou a coordenadora latino-americana do Programa de Justiça Climática de Amigos da Terra Internacional, Lucia Ortiz. “Estamos num processo de financeirização da natureza. O Banco Mundial e o setor financeiro internacional, valendo-se da crise climática, buscam capitalizar-se a partir da comodificação dos bens comuns, enquanto atrasam soluções reais que só podem dar-se com uma mudança de sistema.”, avaliou.

Mais de 160 organizações da sociedade civil de 39 países denunciaram em Durban, através de uma carta aberta, que os países industrializados, especialmente Estados Unidos, Reino Unido e Japão, estão buscando que as corporações transnacionais e financeiras tenham acesso direto ao financiamento do Fundo Verde para o Clima. Outras tantas assinaram um chamado a uma moratória para REDD+, para que o enfoque da conferencia volte-se para as obrigações dos contaminadores históricos, e não a escapes perigosos que impliquem a negociação da vida das florestas e seus povos.

Para Ortizla COPde Clima “abre cada vez más as portas ao capitalismo verde”. “Há uma grave corrida pela mercantilização da natureza nesta nova fase do capitalismo, que é de apropriação dos bens comuns, desde o ar ate a terra, a água, a biodiversidade e as culturas”, agregou a integrante de NAT – Amigos da Terra Brasil. A dirigente advertiu que a consolidação do capitalismo verde será o verdadeiro objetivo da próxima Conferencia de Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Río+20), que se realizará em junho de 2012 no Rio de Janeiro, Brasil.

Frente a este panorama mais que preocupante, agrupações de pescadores, campesinos, trabalhadores, agricultores sem terra, mulheres, povos indígenas, ambientalistas, entre muitos outros atores, realizaram diversas manifestações, atividades e protestos dentro e fora da conferencia em Durban, demandando justiça climática. Muitas organizações e movimentos sociais apresentaram o que chamam de soluções reais as mudanças climáticas, como a a agricultura campesina, a agroecologia, a economia solidaria, a soberania alimentar e energética, o manejo comunitário das florestas e ecossistemas, as energias renováveis descentralizadas… Ações que ajudariam a cortar drasticamente a emissão de setores fundamentais responsáveis pela poluição mundial, como o setor agrícola e de transportes.

“É emocionante ver representantes comunitários e dirigentes de numerosos países do mundo lutndo longe de suas casas, e também nos seus territórios, para proteger os povos mais despossuídos e ameaçados, por um mundo mais justo e sustentável”, disse o ativista Isaac Rojas, de COECOCEIBA – Amigos da Terra Costa Rica. “Enquanto dentro do ICC, o prédio da Conferencia, se cozinhou o planeta, fora se extremou a unidade dos movimentos sociais para que as vozes dos povos fossem escutadas e para que se respondesse com seriedade a crise climática”, enfatizou o ambientalista Martín Drago, de REDES – Amigos da Terra Uruguai. “Foram estes movimentos os que defenderam aqui em Durban os interesses dos 99% do planeta, que necessitam que se garantam seus direitos e existência com justiça e dignidade”, agregou.

Mais informações :

Lucia Ortiz, coordenadora latino-americana do Programa de Justiça Climática dos Amigos da Terra Internacional, NAT – Amigos da Terra Brasil: + 55 51 98418707, lucia@amigosdaterrabrasil.org.br

Andre Guerra, comunicação NAT – Amigos da Terra Brasil: + 55 51 84430832, imprensa@amigosdaterrabrasil.org.br

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