POLUIDORA GIGANTE DA MINERAÇÃO BRASILEIRA

COMUNICADO DE IMPRENSA

Amigos da Terra Internacional

DENUNCIAM POLUIDORA GIGANTE DA MINERAÇÃO BRASILEIRA

PORTO ALEGRE (BRASIL) / DAVOS (SUÍÇA), 27 de JANEIRO DE 2012 – Vale, a mineradora gigante do Brasil, obteve mais de 25 mil votos e foi coroada como a ‘pior empresa do ano’ na premiação “Public Eye” em Davos, na Suíça. [1] No dia da cerimônia de premiação, a maior organização ambientalista de base do mundo publicou um estudo de caso [2] destacando como a Vale contribui com as mudanças climáticas através de suas atividades de mineração, enquanto lucra com a “compensação de carbono” que agrava a crise climática.

A empresa brasileira Vale é a segunda maior empresa do mundo em metais e mineração e uma das maiores produtoras de matérias-primas em âmbito mundial. A Vale apresentou lucros de US$ 17 bilhões de dólares em 2010. O estudo de caso publicado por Amigos da Terra Internacional revela promessas não cumpridas pela Vale e as suas atividades de lobby destinadas a influenciar as políticas nacionais e internacionais sobre mudanças climáticas.

Apesar de ter anunciado em 2008 a sua intenção em reduzir suas emissões de dióxido de carbono, a Vale emitiu – de acordo com seus próprios valores – 20 milhões de toneladas de CO2 em 2010, um aumento significativo se comparado aos 15 milhões de toneladas emitidas em 2007.

A Vale tem representantes na delegação oficial do governo brasileiro na ONU e é uma entre muitas grandes corporações que estão exercendo pressão sobre as políticas climáticas dos governos para minar a ação global sobre a crise climática. A gigante energética sul-africana Sasol também foi denunciada por Amigos da Terra Internacional, em outro estudo de caso recente sobre a “captura corporativa” dos processos da ONU. [3]

BRASIL

Entre os projetos extrativos da Vale em larga escala, que têm impacto direto sobre os povos e o meio ambiente no Brasil, está o controverso complexo siderúrgico da Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), uma joint-venture no Rio de Janeiro.

A Vale tem enfrentado críticas pesadas pelos altos níveis de poluição nesta unidade, que aumentou as emissões de dióxido de carbono do Rio de Janeiro em 76%. No entanto, o projeto da Vale pretende lucrar com ‘créditos de carbono’ nos assim chamados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL).

“O projeto afetou negativamente a vida de 8.000 pescadores que vivem em comunidades na Baía de Sepetiba e a “joint-venture” foi denunciada por crimes ambientais nos tribunais brasileiros”, disse Lucia Ortiz de Amigos da Terra Internacional. “Enquanto a Vale lucra com atividades de mineração em grande escala que causam a mudança climática, também lucra através das falsas soluções que estão exacerbando a crise do clima, como os mercados de carbono”, acrescentou.

A Vale também está construindo a barragem de Belo Monte no meio da floresta amazônica, com conseqüências devastadoras para a biodiversidade única da região e para diversas tribos indígenas.

MOÇAMBIQUE

O estudo de caso publicado em 27 de Janeiro também expõe uma concessão mineira para a Vale em Moçambique, o projeto de carvão de Moatize, que explora, desde 2011, uma das maiores reservas mundiais de carvão mineral. A expectativa é de produzir 11 milhões de toneladas de carvão por ano, uma vez que esteja plenamente operando.

O Projeto Moatize da Vale atraiu críticas consideráveis em Moçambique, por exemplo, porque cerca de 1.300 famílias foram obrigadas a se deslocar para áreas de difícil acesso a água, energia elétrica e solo fértil, e em casas mal construídas, com rachaduras e goteiras. As comunidades atingidas recorreram recentemente a manifestações não-violentas, como o bloqueio de um trem que transportava carvão para o Porto da Beira.

Daniel Ribeiro, da Amigos da Terra Moçambique disse que: “os membros das comunidades locais foram ameaçados, perseguidos e maltratados, de acordo com um membro da comunidade Chipanga, e esses relatos são apenas a ponta do iceberg.”

 

PARA MAIS INFORMAÇÕES

Lucia Ortiz, Amigos da Terra Internacional, Coordenadora do Programa Justiça Econômica – Resistindo ao Neoliberalismo. Tel: + 55 51 9841 8707 (Brasil) Email: lucia@amigosdaterrabrasil.org.br

Daniel Ribeiro, Amigos da Terra Moçambique. Tel +258 84 7151300 (Moçambique) Email: daniel.ja.mz@gmail.com

 

NOTA AOS EDITORES

[1] Os Prêmios “Public Eye” foram concedidos dia 27 de Janeiro as 13:30, hora local em Davos, coincidindo com o Fórum Econômico Mundial, que é freqüentado por líderes mundiais. Para mais informações sobre o “Prêmio “Public Eye” em Davos, ir para: http://www.publiceye.ch/en/news/

[2] O estudo de caso da Vale publicado em 27 de Janeiro está disponível em Português em: http://www.foei.org/en/resources/publications/pdfs/2012/como-as-corporacoes-governam-vale/

[3] O estudo de caso da Sasol divulgado em 7 de Dezembro de 2011 está disponível em: http://www.foei.org/en/media/archive/2011/climate-agenda-of-south-african-energy-giant-sasol-exposed

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