A Conferência Rio+20 está condenada colocando à venda os povos e o planeta

Amigos da Terra Internacional – Friends of the Earth International

23 de junho de 2012

RIO DE JANEIRO (BRASIL), 23 de junho de 2012— Amigos da Terra Internacional condenou os líderes mundiais por estarem colocando à venda os povos e o planeta na declaração da Rio+20 o que está muito aquém das ações necessárias para enfrentar a crise planetária, e não inclui nenhuma das reais soluções demandadas pelas pessoas da Cúpula do Povos. [1]

De acordo com Amigos da Terra Internacional, a falta de vontade política dos governos está baseada na influência das corporações sobre os governos e sobre as instituições da ONU. Mas a pressão de grupos e movimentos da sociedade civil e países em desenvolvimento evitaram que os líderes mundiais acordassem uma declaração ainda pior na  Rio+20 levando o mundo a andar para trás, retrocedendo 20 anos.

“Mais uma vez as corporações poluidoras mantiveram as decisões da ONU sob jugo, prevalecendo os interesses econômicos às custas do bem estar dos povos e do planeta. Mas as soluções reais para a crise existem e foram apresentadas pela Cúpula dos Povos. Elas incluem a justiça econômica, justiça climática e soberania alimentar”, afirmou Nnimmo Bassey, presidente dos Amigos da Terra Internacional.

Amigos da Terra Internacional tem sido um ator chave na Cúpula dos Povos – um espaço independente da ONU e apoiado por mais de 200 grupos da sociedade civil, que trabalharam juntos por nove dias para gerar as idéias para a mudança necessária para enfrentar a crise que enfrentamos.

“Amigos da Terra Internacional e os movimentos sociais aliados irão continuar a luta contra a captura corporativa da ONU que faz com que os governos parem de escutar as vozes dos 99% da população. Essa vozes não só incluem a Cúpula dos Povos no Rio, mas as vozes do Occupy e do movimentos dos Indignados ao redor do mundo”, afirma Lúcia Ortiz, coordenadora Internacional do Programa de Justiça Econômica dos Amigos da Terra Internacional.

“O poder para os povos é a solução para a crise que enfrentamos. A Cúpula dos Povos no Rio foi um exemplo das vozes unidas dos povos demandando soluções reais. Nós temos que nos fortalecer e organizar-nos para resistir ao poder corporativo, falsas soluções, e recuperar nossas democracias e os processos de decisão na ONU”, afimou Isaac Rojas, coordenador do Programa de Florestas e Biodiversidade de Amigos da Terra Internacional.

Análise dos Amigos da Terra sobre assuntos chaves postos no Rio:

ECONOMIA VERDE

O bloco da União Europeia tentou impor no Rio a agenda corporativa da economia verde – que serve de fachada para o falido e injusto sistema econômico e para vender a natureza — como a ferramenta principal para alcançar o desenvolvimento sustentável. A sociedade civil e países em desenvolvimento trabalharam para impedir que essa agenda fosse adotada e parcialmente pararam sua imposição na declaração do Rio, permitindo que, por enquanto,  países individualmente definam sua visão do que  uma economia justa e sustentável é.

Infelizmente a declaração ainda reconhece a economia verde como uma importante ferramenta e não inclui nenhuma linha sobre os países desenvolvidos e seu padrão de consumo  insustentável como grande causa dos problemas ambientais, estes deveriam tomar a liderança no consumo e na produção sustentável. A declaração também falha em não reconhecer que as corporações multinacionais são a causa principal das múltiplas crises que o mundo enfrenta hoje.

OS PRINCÍPIOD DO RIO

A declaração da Rio+20 reafirma os chamados “ Princípios do Rio” acordados na Rio 92, não tendo sido seguidos.

A declaração da Rio+20 ignora a necessidade do mundo industrializado pagar sua dívida ecológica através da provisão de um novo e adicional financiamento e da transferência de tecnologia.

A declaração da Rio+20 não enfrenta a necessidade de eliminar os combustíveis fósseis através de uma transição justa para energia limpa e acessível de ser controlada pelas comunidades.

CAPTURA COPORATIVA DA ONU

A declaração da Rio+20 inclui uma abordagem voluntária no monitoramento da sustentabilidade – algo que já estava na mesa 10 anos atrás e incrivelmente insuficiente para tratar dos crimes e abusos corporativos.

A declaração da Rio+20 infelizmente diz que os governos devem apoiar iniciativas como “promover a contribuição do setor privado” e a única referência em financiamento público é feito em conexão a parcerias público-privadas.

 

A declaração da Rio+20 não menciona nenhum passo trazido na declaração lançada em 4 de junho pelos Amigos da Terra Internacional e outras 400 organizações.

Os passos que deveriam ser tomados incluem:

Limitar o status privilegiado que as empresas tem atualmente nas negociações oficiais e nas políticas da ONU; impor limite ao papel das “empresas e indústrias” nos grupos principais; divulgação das relações entre a ONU e o setor privado; um código de conduta para os funcionários da ONU; revisar as parcerias com as corporações e as associações de comércio,
e evitar entrar em novas parcerias desse tipo; aumentar a transparência sobre lobby; e estabelecer um marco legal vinculante para tornar as companhias responsáveis por danos ambientais, abusos aos direitos humanos e leis trabalhistas.

PARA MAIS INFO

Nnimmo Bassey, Presidente dos Amigos da Terra Internacional:
+234 803 727 4395 (Nigéria), ou email Nnimmo@eraction.org

Lucia Ortiz, Coordenadora Internacional do programa de Justiça Econômica dos Amigos da Terra Internacional: (Brasil) Tel: + 55 51 98 41 87 07 ou +55 21
6968 7826 ou email lucia@natbrasil.org.br

Isaac Rojas, Coordenador Internacional do Programa de Florestas e Biodiversidade (Brasil) (+55 21) 6968 7885 ou email
isaac@coecoceiba.org

Paul de Clerck, Coordenador da Campanha sobre Corporações, Amigos da Terra Internacional: Tel + 32 494 38 09 59 ou email paul@milieudefensie.nl

NOTAS AOS EDITORES

[1] As soluções promovidas na Cúpula do Povos:

– produção local de energia renovável de pequena escala
– Investir em eficiência energética- Mudar a orientação exportadora de grande escala na produção de alimentos para soberania alimentar e necessidades locais
– Implementar taxa sobre transações financeiras
– Implementar regras internacionais para as companhias e sanções se houver violação

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Niccolo’ Sarno MOBILE +55 21 6927 3059 ( JUNE 18-28 IN RIO DE JANEIRO)
————————————————————–
Media Coordinator – Friends of the Earth International
Email: media@foei.orghttp://www.foei.org/media
————————————————————–
Friends of the Earth International (FoEI) is the world’s largest
grassroots environmental federation with 76 national member groups in 76
countries and 2 million members and supporters
————————————————————–
Read what do the media say about us:
http://www.foei.org/en/media/media-review

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