Nota pública para esclarecimento sobre mal entendidos das declarações do jornalista e ativista moçambicano impedido de entrar no Brasil

Em 19 de junho de 2012 e durante os dias seguintes circulou na imprensa brasileira noticias  sobre o retorno ao Brasil do Jornalista e ativista moçambicano. As matérias tratam da chegada do jornalista Jeremias Vunjanhe, membro da organização Justiça Ambiental, de Moçambique, no dia 18 de Junho no aeroporto do Galeão (Rio de Janeiro), após haver sido impedido de entrar no Brasil no dia 12 de junho do mesmo ano, sendo deportado do aeroporto de Guarulhos (São Paulo) com um carimbo de “impedido” em seu passaporte. Em solidariedade a ele, aproximadamente 100 ativistas o receberam de forma calorosa no aeroporto. A organização Justiça Ambiental faz parte da rede Amigos da Terra e da articulação internacional dos Atingidos pela Vale.

Apreciamos a iniciativa dos meios de comunicação do Brasil e de todo o mundo de noticiar a recepção ao companheiro Jeremias dando maior cobertura ao caso do seu impedimento no Brasil. Consideramos de suma importância os meios de comunicação que se dispõem a retratar fatos importantes relacionados às lutas sociais e políticas, que geralmente são ocultados da grande mídia.  Jeremias Vunjanhe é, ele mesmo, um jornalista compromissado com temas relacionados às questões ambientais, trabalhistas, sociais e de direitos humanos, estando engajado em lutas importantes em seu país, que se depara com o poder de grandes corporações. Ao mesmo tempo, prezamos a responsabilidade jornalística e repudiamos a distorção de declarações, que podem se voltar contra a própria pessoa entrevistada.

Diante dos vários enquadramentos atribuídos às declarações de Jeremias Vunjanhe após o seu retorno ao Brasil,  gostaríamos de esclarecer alguns mal entendidos que eventualmente tenham sido provocados por razões diversas.

Após a sua chegada, estando ainda no aeroporto de Galeão Jeremias Vunjanhe concedeu uma coletiva de imprensa a vários meios de comunicação que foi amplamente divulgada no Brasil, Moçambique e em todo o mundo. Durante a referida coletiva de imprensa Jeremias Vunjanhe disse que, ao desembarcar no aeroporto internacional de São Paulo, viu seu passaporte ser retido pela Policia Federal brasileira durante os habituais procedimentos de controle migratório.

Durante esse processo, em nenhum momento Jeremias Vunjanhe teria sido  “detido” no sentido de uma prisão, mas sim “retido” pela Polícia
Federal no aeroporto de Guarulhos em São Paulo.

Depois da sua deportação para Moçambique, a Justiça Ambiental organização na qual trabalha, contatou a Embaixada da Republica Federativa do Brasil em Maputo, que se comprometeu a emitir um novo visto, pelo que em nenhum momento Jeremias Vunjanhe teria sido obrigado a retirar novo passaporte em Moçambique. Na verdade, ele não teve que tirar um novo passaporte, mas apenas um novo visto, feito por cortesia, emitido pela Embaixada do Brasil em Maputo.

Em declarações feitas ainda no aeroporto de Galeão no Rio de Janeiro,  Jeremias Vunjanhe disse também que durante os últimos trabalhos que fez na província de Tete, sentiu-se perseguido e ameaçado. Ele afirmou que um funcionário da Odebrecht, empresa associada à Vale no projeto em Moçambique, o interpelou durante sua última viagem à província de Tete (onde está situado o projeto) e mais tarde solicitou a intervenção da Polícia Local. Por sua vez, um  funcionário do Governo Provincial disse que o trabalho que Jeremias e sua organização desenvolvem estava a “assustar” o Governo Provincial.

Nessa mesma coletiva de imprensa, e respondendo aos jornalistas presentes, o jornalista e ativista moçambicano disse também que possuía provas documentais, fotográficas e audiovisuais relativas a torturas sofridas pelas famílias reassentadas pela Vale reprimidas violenta e brutalmente pela Policia da Republica de Moçambique-PRM e sua unidade especial Força de Intervenção Rápida-FIR quando solicitada pela Vale durante o protesto daquelas famílias no dia 10 de janeiro ultimo.

Entendemos que possam haver problemas de compreensão e interpretação linguística de algumas palavras. Porém, Jeremias Vunjanhe se preocupa com possíveis repercussões erradas de suas declarações, que possam causar problemas pessoais a ele e sua organização em Moçambique.

Assinam:

Justiça Ambiental, Amigos da Terra Moçambique

PACS

United Steel Workers, Canadá

Justiça Global

CSP Conlutas

Sindiquímica – PR

Amigos da Terra Brasil

Justiça nos Trilhos

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