Por que apoiamos a campanha “FIFA a pior corporação do ano”?

“O Public Eye Awards é conhecido como o “Nobel” da vergonha corporativa mundial. Criado em 2000, o prêmio é concedido anualmente à corporação vencedora, escolhida por voto popular em função de problemas ambientais, sociais e trabalhistas, durante o Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos”. É possível votar clicando aqui

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Os Amigos da Terra Brasil concorda que a FIFA deve ser eleita a pior corporação do mundo, não só em virtude das violações de direitos que ela produz e os efeitos mortíferos que seus megaeventos desencadeiam, mas também em função da própria forma de articulação que ela representa em um contexto de inovações dos meios de controle e exercício do poder corporativo.

Na contemporânea forma de organização do capital internacional, em que a financeirização ganha espaço dentre as outras formas de acumulação, os megaeventos promovidos pela federação internacional de futebol, a FIFA, são importantes oportunidades para que as mais diversas corporações viabilizem e sejam viabilizadas por tais eventos. Em função do poder econômico da FIFA e, inclusive, do capital simbólico que ela detém, o seu poder de interferir, manipular e pautar o Estado é análogo a de qualquer outra grande corporação. Nesses termos é que a relação promíscua entre Estado e corporação pode ser abarcada no conceito de Captura Corporativa, ou seja, quando os interesses das corporações são efetivados e sustentados pela própria institucionalidade assegurada pelo Estado.

Os desdobramentos dessa estreita e obscura relação entre Estado-corporação são sentidos, principalmente, por aquelas populações vulnerabilizadas. Um exemplo imediato disso são os impactos gerados pelas obras da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Enquanto os promotores e apoiadores do evento propagam a ideia de a vinda do megaevento abrir oportunidades de melhorias diversas para toda a população, a maioria esmagadora dos impactos provocados pelas obras estão sendo sentidos, quase que exclusivamente, por aquelas populações historicamente marginalizadas. O elemento mais perverso desse esquema é que, ao mesmo tempo em que a FIFA é representada como a instituição que possibilita avanços econômicos e infraestruturais, a responsabilidade pelos impactos decorrentes da construção do megaevento fica a cargo da impessoalidade estatal. Nesse sentido, de forma superficial, não há um agente específico e objetivo responsável pelos desrespeitos aos Direitos Humanos e outras dezenas de violações cometidas em nome desse megaevento. Na verdade, o que vemos emergir não é mais um sujeito-agente, mas uma complexa teia de interesses composta por dezenas de corporações que se conectam e interconectam de forma fluida e transitória sob a proteção das tênues fronteiras estabelecidas por essa entidade ao mesmo tempo abstrata e concreta que é a FIFA.

O próprio fato de ser uma tarefa controversa denominar a FIFA como uma corporação é que torna a margem de atuação dessa instituição mais ampla e contundente. A aparente fragmentação e não materialidade dessa corporação desincorporada talvez seja um dos elementos mais propícios à sua efetividade em colocar em curso as mais diversas formas de violações contra os bens comuns e Direitos Humanos. Além disso, os contextos de estado de exceção promovidos pela FIFA, nada mais são do que formas de garantir a segurança jurídica ao pleno exercício mercantil de seus interesses em detrimento de todo e qualquer princípio verdadeiramente democrático.

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3 respostas para “Por que apoiamos a campanha “FIFA a pior corporação do ano”?

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