Cinturão Verde de Porto Alegre: TeRRitóRio em DiSputA

caminhos rurais

A parceria entre o Instituto Econsciencia, o Coletivo Catarse e os Amigos da Terra Brasil, resultou no documentário Cinturão Verde de Porto Alegre: Território em Disputa.

Porto Alegre está em disputa. Dê um lado, construtoras e imobiliárias, que enxergam a cidade como uma mercadoria e tem intenção de transformar todos os espaços possíveis em lucro. Do outro, cidadãos que vêem a metrópole como um lugar para se viver, onde se acolha dignamente todas as pessoas, tenham dinheiro ou não. Onde se respeite a biodiversidade local, suas matas e ambientes naturais, seus animais silvestres e sua produção de alimentos.

Sobre esta Porto Alegre de um cinturão verde, há um projeto de cidade sendo construído e imposto pela iniciativa privada. Uma ofensiva da construção civil sobre esta região, sem necessidade e sem planejamento, já que existem 48 mil imóveis desocupados para uma demanda de 38 mil famílias. Segundo os dados do IBGE de 2010, sobram 10 mil residências.

Nas obras dos residenciais luxuosos, a terra fica arrasada, com alteração total da topografia e da paisagem, e as áreas nativas que restam são cercadas, sem se comunicar com o entorno, afetando a flora, a fauna e a população que ali já vive. Entre esses habitantes, estão aldeias das três etnias indígenas que vivem no Estado. Os guarani, os Caingangue e os Charrua estão em pequenas comunidades que se mantém principalmente com o artesanato, e a matéria-prima que usam vem boa parte das matas da região. Atualmente, eles circulam livremente pelas propriedades rurais, mas a transformação destas áreas em condomínios de luxo, ameaça esta dinâmica, sua forma de vida e seu sustento.

Se por um lado, multiplicam-se os condomínios de luxo, por outro, são os condomínios populares do programa Minha Casa Minha Vida, construídos para comunidades que são expulsas do centro pelas obras viárias e pela especulação imobiliária, que os força a migrarem para áreas mais periféricas. A falta de moradia de baixa renda pode ser suprida nos vazios urbanos destas áreas centrais, que já dispõe de infra-estrutura. Mas comunidades populares inteiras são removidas para que a cidade se reorganize. Pagam sozinhas o custo destas mudanças. São levadas para áreas que muitas vezes não tem posto de saúde, não tem escola nem creche próximas, ficam longe das possibilidades de trabalho, e a oferta do transporte público é precária. Vão morar na Zona sul por falta de opção ou por imposição. Seus direitos são abandonados ou violados.

É preciso entender esta região como já cumprindo um papel, uma função socioambiental que ela já tem. A região sul de Porto Alegre precisa ser valorizada pela sua produção de alimentos, pelos benefícios que traz para o clima, pela preservação dos recursos hídricos, pela possibilidade de manter a cultura de povos tradicionais, com as quais a sociedade tem dívida e compromisso. Perder este potencial dentro do próprio território da cidade é mais do que negligência, é um crime.

Assista ao documentário na íntegra aqui

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