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Seminário Mobilidade, Moradia e Reforma Urbana

Evento ocorreu na Escola Porto Alegre

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Primeira noite de seminário Foto: Vinícius Zuanazzi

A Escola Porto Alegre recebeu nos dias 29 e 30 de maio, o seminário Mobilidade, Moradia e Reforma Urbana. Importante espaço de discussão sobre o direito à cidade, moradia digna e um transporte público de qualidade condizente com a necessidade da população. O evento foi idealizado e executado pelo núcleo de Economia Alternativa da UFRGS, em parceria com movimentos sociais e organizações como a ONG Cidade, o Instituto de Arquitetos do Brasil, o Amigos da Terra Brasil, o Fórum de Ocupações, a Resistência Urbana e a Federação dos Metalúrgicos do RS.

A intenção do encontro era a de promover a discussão dos temas propostos entre a sociedade, movimentos sociais e a academia. Para isso, foram convidados integrantes destes setores para que apresentassem dados e informações no evento com o objetivo de fortalecer a luta por direitos..

A primeira noite de seminário, na sexta-feira, teve como tema inicial de discussão “O transporte urbano pra além da tarifa, um debate sobre a cidade”. Participaram da mesa de debate administrada por Claudia Favaro, o professor Carlos Schmidt (Núcleo de Economia Alternativa da UFRGS), Pedro Arantes (UNIFESP), João Farias Rovati (Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da UFRGS), Pedro Ruas (deputado Estadual pelo PSOL) e Lorena Castillo (Bloco de Luta pelo Transporte Público).

O tema do transporte foi iniciado pelo professor Schmidt, ao citar estudo da Fundação de Economia e Estatística, que apresenta o preço dos ônibus presentes nas notas como inferior ao preço lançado no cálculo tarifário, resultando em uma cobrança injusta de tarifa. Segundo Pedro Ruas, Porto Alegre tem um cartel mafioso administrando o transporte público da cidade. O deputado ressaltou também que o lucro do empresariado é abusivo, como já mostrou o Tribunal de Contas do Estado. Outra observação de Ruas foi referente a frota reserva que as empresas de ônibus dizem ter. Segundo ele, estas estão apenas no computador, na realidade elas simplesmente não existem.

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Direita para esquerda: Pedro Ruas, Carlos Schmidt, Claudia Favaro, Pedro Arantes, João Rovati e Lorena Castillo  Foto:Vinícius Zuanazzi

O seminário seguiu e importantes temas foram pauta no segundo dia, como a Copa do Mundo da FIFA no Brasil. Entidade esta, envolvida em inúmeros escândalos, inclusive tendo parte de sua cúpula detida pela polícia norte-americana recentemente, após a comprovação das ações corruptas de seus dirigentes. No Brasil a ação da FIFA não foi diferente, violação de direitos humanos e operações escusas fizeram parte da construção da Copa do Mundo no Brasil.

Para a denúncia dos desmandos da Federação Mundial de Futebol em nosso país, o Comitê Popular da Copa realizou o importante trabalho de construção do Dossiê Copa do Mundo FIFA 2014 e as Violações de Direitos Humanos em Porto Alegre, lançado neste sábado pela militante Claudia Favaro representando o Comitê Popular da Copa. O livro contém passagens importantes sobre as ações abusivas da FIFA durante o megaevento.

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Dossiê da Copa do Mundo Fifa em Porto Alegre Foto: Kátia Marko

Os debates tiveram seguimento pela tarde com mais dois temas: “Movimentos Sociais e alternativas para a produção da moradia e da cidade no Brasil”, debatido por Ceniriani Vargas da Silva (MNLM), Cedenir de Oliveira (MST), Nanashara D’Ávila Sanches (MLB), Eduardo Solari (Rede de Comunidades Autogestionárias), Édisson Campos (MNPR), Juliano Fripp (Fórum das Ocupações) e Ana Paula Perles Ribeiro (MTST).  E “Plano Diretor e os Instrumentos para a Luta popular Urbana em Porto Alegre”, discutido por Maria Tereza Albano (IAB-RS), Betânia Alfonsín (PUC/RS), Sergio Baierle (Cientista Social) e Fernanda Melchiona (vereadora de Porto Alegre pelo PSOL).

Assim se encerrou o momento de discussões do seminário que teve seu objetivo alcançado como início de uma série de debates que deverão ocorrer durante o ano de 2015 e que pretendem contribuir para uma reflexão mais profunda sobre as questões estruturais envolvidas na disputa pelo direito pleno à cidade, sem privilégio para poucos e justo para com todas as classes sociais.

Texto: Vinícius Zuanazzi

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POR UM TRANSPORTE 100% PÚBLICO DE QUALIDADE

O ano de 2015 mal começou e a máfia dos transportes já mostrou sua cara. O pedido inicial de aumento da tarifa do transporte público da Capital pela ATP foi de 18,3%, elevando o valor de R$2,95 para R$ 3,49 – uma proposta indecente, superfaturada e absurda. Mais um aumento dói no bolso do povo e não vamos aceitar caladxs mais esta violência por parte da gestão do Prefeito Fortunati e do setor privado que tanto lhe agrada. Se o transporte é público, por que não temos uma licitação? Ao invés disso, o que temos são empresas privadas sugando até o último centavo do cidadão e da cidadã em mais um aumento criminoso. Já bastam as paradas e suas filas quilométricas devido aos horários escassos, a superlotação e a má conservação dos ônibus, que oferecem aos usuários viagens insalubres em carros sucateados, onde a população espremida se vê em constante situação de risco. O dia-dia é sofrido para quem depende do nosso serviço de transporte para se locomover pela cidade. É por isso que estivemos presentes no primeiro ato do Bloco de Luta do ano e seguiremos na rua pelo transporte 100% público, de qualidade e sem a sombra nefasta da ganância dos empresários e seus comparsas em busca do lucro acima de tudo. bloco